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A SEMANA NÃO COMEÇA NA SEGUNDA, COMEÇA NA SEXTA! #SEXTOU!

HIPOLITO FRANCISCO

Líder de transformação digital na Orgânica Exponencial

Em 2018 trabalhei durante cinco meses em uma cozinha de restaurante internacional no estado de Michigan nos EUA. Nunca tinha tido experiência em cozinha comercial/industrial, apesar de ter feito parte de uma graduação em Gastronomia, além de ser profissional de Recursos Humanos e Comunicação. Quando me candidatei, não me perguntaram muita coisas. Apenas o básico e se tinha o EAD, que é a autorização para trabalhar naquele país. Iniciei com mão na massa um dia depois.


Michigan, para quem não sabe, é o berço da industria automobilística mundial. De lá são a FORD e GM entre outras grandes montadoras. Passaram por uma enorme crise nos anos 2008 e 2009 mas aos poucos se reergueram, assim como a atividade econômica periférica e as cidades da região metropolitana de Detroit. Por que procurei o restaurante? Simples, porque sendo latino e principalmente brasileiro, as posições que se apresentavam para mim, apensar de ter trabalhado em posições de gestão em grandes empresas do Brasil e ter um bom nível de inglês, eram de assistente ou menos. É a tal da reserva de mercado ao trabalhador americano.


Por outro lado, a experiência foi valiosíssima. Aprendi bastante, cozinhei muito, cansei bastante, limpei o chão e varri, todo santo dia, a “minha” cozinha”. Fiz amigos de 14 nações que formavam uma torre de babel naqueles pouco mais de 50m2 de preparação de alimentos em que a língua oficial era o espanhol. Recebia a cada 10 dias em torno de 1,2 mil dólares, o que totalizava 3,6 mil no mês. Não faz a conta... você vai se decepcionar com seu salário de liderança no Brasil. Trabalhava 6 dias por semana, 6 a 7 horas por dia.


Por que estou contando isso? A forma que a gestão americana se apresenta é muito diferente da brasileira. A remuneração do empregado é intrinsicamente relacionada ao seu desempenho diário, a sua entrega e disposição (número de horas trabalhadas). As pessoas saem do trabalho na sexta-feira e não pensam na empresa no final de semana. Se preocupam com cerveja e churrasco em família e os esportes americanos. Tiram férias de 20 dias, entram nos seus motorhomes e esquecem o mundo. Os líderes – ou gestores – são tão empregados quanto os demais e isso faz toda diferença na relação. É impessoal, não há preocupação com engajamento, clima ou cultura organizacional. Na verdade há. A cultura no interior americano é essa e ponto final. Adapte-se ou você terá problemas.


Como fui gestor durante muitos anos em grandes empresas do Brasil, vi o abismo que há entre a gestão americana e brasileira. Não estou dizendo que lá é melhor. Em termos de desenvolvimento de pessoas estamos anos luz a frente. E, por isso, tendo a dizer que aqui é melhor. No Brasil, empresas boas para trabalhar, empresas que tenham benefícios como academia, mesa de sinuca, piscina de bolinhas e até cerveja liberada na sexta-feira, são disputadas pelos candidatos. No Brasil o gestor precisa, se envolver e viver a vida dos seus empregados. Precisa em um determinado momento ser pai, em outro ser amigo, em outro ser chefe. Faz parte do processo e garante que equipes de alto potencial estejam perfeitamente integradas e estimuladas para serem felizes na... sexta-feira por exemplo.


Quem nunca ouviu o #sextou? Invenção brasileira que não tem a ver com “que bom que chegou a sexta-feira para eu me livrar desse trabalho horrível”, mas sim um grito de liberdade que alimenta a alma e entrega o corpo ao Deus do final de semana. Um gestor desligado disso hoje no Brasil não consegue liderar ninguém. Tem que ter empatia, jogo de cintura e entender que nenhum empregado vai fazer um bom trabalho depois do grito de #sextou. É só acompanhar o Instagram. As lideranças brasileiras, ao contrário das americanas, devem sim valorizar a felicidade da sua turma, acompanhar sempre que possível e estimular que as relações de amizade formem uma “família corporativa”.

O nome disso é felicidade. Promover a felicidade nos times gera engajamento. Gera e alimenta o propósito coletivo. Nunca saí do restaurante que trabalhava com meus colegas. Minha ex esposa, que era gerente de RH em uma montadora, toda vez que ia em um Happy Hour “da firma” era com hora marcada para iniciar e terminar. Imagina isso no Leblon ou na Vila Madalena? Todo mundo comia a escolha do chefe e se ele não bebia... temos problemas. Protocolos americanos e todos loucos para que terminasse o convescote para pegar o seu chapéu e ir pra casa assistir a NBA.


Ao contrário, no Brasil sextamos. Acredito muito que uma liderança chave em qualquer organização brasileira hoje em dia – seja Head, C-level ou qualquer outra nomenclatura, passa por representar muito mais do que o “chefe”, muito mais do que o controlador, muito mais do aquele que avalia os empregados uma vez por ano e define quem vai ter aumento ou não. Desculpem os gringos, mas gestão no Brasil é que nem uma boa feijoada. Chama o pessoal, pega um monte de ingredientes, joga tudo na panela, deixa ferver. Enquanto isso deixa o samba rolar, o chope descer e, no final, a magia se estabelece. Se cria cultura, se cria engajamento e todos, sem exceção, saem felizes para, na segunda-feira, entregar o seu melhor para a organização.

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